Europa
Passagens Literárias
Macunaíma
Mário de Andrade
A Europa em Macunaíma é quase um personagem, um lugar de desejo e de fuga. É para onde o gigante Piaimã viaja com a família para descansar das surras que leva, e é o dote que Vei promete ao herói: “Oropa, França e Bahia”. Naquela época, a Europa era o espelho onde a elite brasileira queria se ver, o centro do mundo civilizado. Para o herói, o continente aparece como um símbolo de status e riqueza, tanto que ele tenta até fingir que é pintor para conseguir uma verba do governo e viajar para lá. É a representação do “estrangeiro” que seduz e, ao mesmo tempo, ameaça a pureza — se é que existe alguma — do caráter nacional.