Porto de Santos
Passagens Literárias
Macunaíma
Mário de Andrade
O Porto de Santos é o ponto final da correria desenfreada de Macunaíma (na pele da onça-parda) antes de se “transformar” definitivamente na máquina automóvel. Historicamente, o porto já era o principal escoadouro do café paulista e a porta de entrada para o progresso industrial no início do século XX. Na obra, ele representa o limite geográfico onde a natureza selvagem se rende à mecânica: é onde a onça derrama “água cansada” no focinho para não estourar de quentura, adotando de vez os acessórios de metal. Essa passagem amarra a visão de como o Brasil foi se modernizando, trocando o passo do bicho pelo giro da engrenagem, num processo que o herói observa com aquele seu jeito bem desconfiado.