Cordilheira dos Andes

Dica de Viajante

Macunaíma: Os Andes aparecem duas vezes na narrativa, em registros bem distintos. A primeira, indireta, ocorre no capítulo “A velha Ceiuci”: ao retornar para São Paulo a bordo do tuiuiú-aeroplano, o herói “subiu até o Telhado do Mundo” e matou a sede nas “águas novas do Vilcanota” — referências respectivamente aos altos Andes e ao rio peruano que nasce nessa cordilheira, perto de Cusco. A passagem inclui os Andes na geografia delirante do voo, que num só fôlego passa por Mato Grosso, Rio Grande do Sul, Peru, Bahia e Pará.

A segunda menção é direta e aparece no capítulo “Macumba”, na cena em que o herói realiza um ritual de vingança contra Venceslau Pietro Pietra, o gigante que roubou a muiraquitã. Macunaíma ordena que o duplo do gigante seja levado a sofrer todo tipo de tormento, entre eles caminhar “pisando vidro através dum mato de urtiga e agarra-compadre até as grunhas da serra dos Andes pleno inverno”. Aqui, os Andes funcionam como signo do extremo — o lugar mais alto, frio e inóspito que se podia evocar para potencializar o castigo. Em ambos os trechos, a cordilheira entra como referência geográfica continental, ampliando o cenário da obra para além das fronteiras do Brasil e situando o herói num mapa que abrange toda a América do Sul.

Passagens Literárias

Macunaíma

Mário de Andrade

A cordilheira dos Andes aparece na obra com um ar de mistério e distância, quase como um lugar de castigo ou origem de coisas estranhas. É de onde vem o “cuitê de friagem” que ajuda a Lua a subir pro céu e também é pra onde Macunaíma, num momento de vingança pura, manda o espírito do gigante Piaimã sofrer no frio extremo. Na visão da obra, os Andes representam esse limite geográfico e místico do continente, um lugar de geada e solidão que serve de contraponto ao calor tropical. É a referência de um “inverno pleno” que o herói usa como arma, mostrando que o domínio dele ia muito além das fronteiras do Brasil.

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