África
Passagens Literárias
Macunaíma
Mário de Andrade
No livro, a África não é um lugar onde o herói pisa, mas uma presença que atravessa o oceano e se instala na cultura e no ritmo do Brasil. Ela aparece na voz do urucungo — instrumento que a filha de Vei toca — e na força da macumba da tia Ciata, onde o herói busca ajuda espiritual. Na época de Mário de Andrade, essa conexão ancestral era o que moldava a identidade do Rio de Janeiro, com o samba e os ritos de matriz africana resistindo no coração da capital. É como se a África fosse uma raiz profunda que alimenta a magia da obra, lembrando que o herói, “preto retinto” ao nascer, carrega esse continente no sangue e nos costumes, mesmo enquanto se perde nas modernidades do Sudeste.